Quanto mais cresce a população com acesso à Internet mais aumenta o interesse em facilidades como pagar contas ou fazer compras online. De todos os brasileiros que usaram a web pelo menos uma vez, 84% já realizaram operações financeiras e 83% já fizeram compras, de acordo com a Pesquisa TIC Domicílios 2008. Porém, é preciso ficar atento: esses sites são alvos de golpes que estão crescendo na Internet brasileira. A criação de páginas falsas é o tipo de golpe financeiro virtual que mais cresce no país e é usada para driblar até os usuários mais atentos.
Comparando-se os números do primeiro trimestre de 2008 e de 2009, o número de páginas falsas de bancos cresceu 225%, segundo o Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br). Ao todo, foram notificadas 1.371 fraudes contra portais de bancos e de comércio eletrônico durante esses meses, uma média de 15 por dia. As páginas falsas são criadas para parecerem com as originais, pedem senhas e números bancários do usuário, mas as informações caem nas mãos de criminosos.
A explicação para um crescimento tão grande é que os fraudadores estão criando novas formas de agir. “A alta no número de páginas falsas coincide com a diminuição de outras fraudes bastante comuns pouco tempo atrás”, diz a gerente do CERT.br, Cristine Hoepers. O uso de “Cavalos de Troia”, um tipo de código que contamina o computador e é enviado em e-mails, teve redução de 20% no período.
“Como as pessoas estão mais alertas, os fraudadores começam a migrar”, afirma Otávio Luiz Artur, diretor do Instituto de Peritos em Tecnologias Digitais e Telecomunicações (IPDI). “Desconhecidos que dizem, num e-mail, ‘olha as fotos que eu achei de você!’ ou ‘veja só o cartão que eu te enviei’, com o intuito de espalhar um vírus, já não enganam mais muita gente”, diz. Nesse sentido, as técnicas de página falsa são uma sofisticação.
O maior objetivo das páginas falsas é roubar senhas e outros dados sigilosos; para isso, as estratégias são várias. É possível que chegue um e-mail com uma suposta mensagem urgente do gerente do seu banco junto com um link mentiroso. Mas pode ser bem pior. Em abril, fraudadores conseguiram manipular servidores de um provedor de Internet brasileiro para fazer com que, quando uma pessoa digitasse o endereço correto de um banco no navegador, ela fosse levada a uma página preparada para enganá-la. A fraude durou quatro horas até ser resolvida. “O fraudador continuará encontrando uma maneira de te enganar, o risco nunca vai zerar”, conclui Artur.
Como as técnicas criminosas avançam rapidamente, a melhor forma de os consumidores e as empresas se protegerem, concluem Artur e Cristine, é manter os programas do computador em dia. Antivírus, outros softwares de proteção e até mesmo o navegador precisam ser constantemente atualizados. Quando o fabricante descobre uma brecha em seu produto, oferece a atualização ao usuário pela Internet – e usá-la aumenta a segurança contra um tipo de ataque novo que tenha surgido.
Fonte: Dayanne Sousa
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